Como plantar espargos no jardim

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A plantação e o cultivo de espargos refletem um comprometimento a médio/longo prazo, dado que este é um vegetal que demora muito tempo a crescer. Saiba como plantar espargos no jardim e adicione um dos legumes mais luxuosos e rico em proteínas às suas refeições.

Tipos de espargos

Se tem uma horta ou vai plantar um jardim de vegetais, considere semear espargos, que são um dos legumes mais suculentos, delicados e deliciosos da roda dos alimentos. São ricos em fibra, vitamina C, vitaminas B1 e B2, vitamina E, ácido fólico, fósforo, cálcio, magnésio, ferro, zinco e potássio e são especialmente utilizados em dietas de emagrecimento, pois são baixos em calorias e não têm gordura, nem colesterol. Os espargos são uma planta perene que pertence à família Liliaceae e, apesar de existirem mais de 300 variedades diferentes, apenas 20 são comestíveis. A sua produção é dividida em quatro variedades principais. São elas:

Os espargos verdes

Os espargos verdes são a variedade mais comum no mercado e caracterizam-se pelo seu sabor tenro e suculento. São muito utilizados na preparação de saladas, principalmente no Verão, e combinam muito bem com o pepino e com o tomate.

Os espargos brancos

Estes são os espargos mais delicados e adocicados e são cultivados debaixo da terra, de modo a impedir o desenvolvimento da clorofila, criando assim a sua coloração branca. Usualmente, os espargos brancos encontram-se em conserva, mas também podem ser frescos ao serem adquiridos em algumas lojas de gourmet específicas, mas sempre a um preço mais elevado do que a variedade verde, dado que a sua produção é mais trabalhosa e exaustiva.

Os espargos violetas/verdes

Este tipo de espargos apresenta uma mistura de cores entre o violeta e o verde e distinguem-se pela produção de rebentos carnudos que proporcionam um sabor fresco, agradável e exclusivo.

Os espargos violetas

Esta variedade de espargos é mais pequena do que os da cor verde ou branca (normalmente apenas 2 a 3 centímetros de altura) e apresenta um sabor mais doce e intenso que os demais. A cor violeta destes espargos deve-se à ação das antocianinas que alteram a cor das plantas e têm a função de as proteger contra a luz ultravioleta dos raios solares.

Independentemente da sua variedade, os espargos são vegetais de fácil preparação, contudo, deve-se ter sempre o cuidado de remover previamente as partes lenhosas que não podem ser ingeridas.

O cultivo de espargos

O cultivo de espargos pode ocorrer através de três métodos distintos:

  1. A sementeira direta;
  2. A transplantação de plântulas com 10 a 12 semanas;
  3. A plantação de coroas (conjunto de raízes) com 1 ano de idade.

É aconselhável e terá mais sucesso se plantar coroas com 1 ano de idade, pois o processo de plantação é muito mais simples. Trata-se de um método específico que se desdobra em 3 anos de cultivo:

O primeiro ano de cultivo: No primeiro ano do cultivo, ao contrário da alface, os espargos nunca devem ser colhidos e só devem ser realizadas operações culturais com vista a maximizar o desenvolvimento vegetativo da massa foliar, bem como tratamentos fitossanitários necessários para manter os espargos livres de pragas, doenças e infestantes.

O segundo ano de cultivo: No segundo ano de cultura, realizam-se operações culturais semelhantes às do primeiro ano, de modo a manter um bom desenvolvimento da cultura para que o sistema radicular se possa desenvolver e acumular reservas para o crescimento nos anos seguintes. Em alguns casos, a partir do segundo ano de cultivo, os espargos podem ser colhidos, pois os turiões, a parte comestível, também conhecida como caule aéreo, estão prontos a serem consumidos.

O terceiro ano de cultivo: No terceiro ano mantêm-se os cuidados com a cultura e inicia-se a colheita dos espargos, que pode ir até ao sétimo ou oitavo ano de cultura. Apesar dos espargos poderem alcançar mais de 7 ou 8 anos de produção contínua, a sua produção nos últimos anos vai diminuindo devido a problemas de doenças, pragas, infestantes e ainda o efeito que colheitas atrás de colheitas têm nas plantas, levando a uma diminuição da sua capacidade produtiva.

O processo de plantação de espargos

Para plantar espargos corretamente no seu jardim, deve seguir criteriosamente os passos seguintes:

Escolher o local da plantação: Deve selecionar um local onde nunca tenha plantado qualquer tipo de vegetal, de modo a reduzir a possibilidade de contaminação por fungos no solo. O terreno deve estar limpo de ervas daninhas, pois a existência destas pode sufocar o crescimento dos espargos.

Fertilizar o local da plantação com antecedência: É necessário adubar e estrumar atempadamente o local onde vai plantar os seus espargos para que a terra fique a mais fertilizada possível. Deve abrir um buraco de cerca de 20 centímetros de profundidade e fazer um camalhão abaixo do nível do solo. Em seguida, deve colocar as coroas nas valas espaçadas entre si a uma distância de 20 a 30 centímetros e afaste as valas à distância de 1,5 metros. Por último, deve cobrir as coroas com cerca de 5 centímetros de terra.

Cultivar os espargos: O espargo deve ser cultivado em solos profundos, bem drenados e com uma boa percentagem de areia. O pH do solo deve situar-se entre os 6,2 e os 6,7 e o fósforo e o potássio têm de ser introduzidos no solo antes da plantação dos espargos. Na Primavera (Março), deve adubar a planta com azoto e outros nutrientes e não se deve esquecer de adubar após a colheita (Maio/Junho) passados cerca de 3 meses, para a planta repor as reservas que foram consumidas.

Deixar o espargo repousar: O espargo é uma planta que se adapta a uma grande diversidade de climas, mas prefere climas temperados e suaves. Necessita de um período de repouso vegetativo de pelo menos 90 dias que, geralmente, coincide com o período do Inverno (baixas temperaturas).

A colheita de espargos

A colheita de espargos faz-se no terceiro ano da cultura, nomeadamente na Primavera, numa altura em que os turiões ainda estão jovens e com pouca fibra, pois quanto mais tarde for a colheita maior será o teor em fibras e, desta forma, mais rapidamente os espargos lenhificam e endurecem, fazendo com que o seu sabor fique mais amargo. Os turiões são colhidos com 18 a 25 cm de comprimento. Quando os turiões começam a ficar finos a colheita precisa de parar, para que não ocorra a exaustão do sistema radicular, o que pode causar a morte da planta no seu jardim.

O espargo é consumido principalmente ao natural, depois de cozido, em forma de sopas, saladas, conservas e em pó para sopa, tendo propriedades rejuvenescedoras, tónicas e diuréticas que trazem muitos benefícios à saúde. Uma alimentação com espargos garante uma excelente condição das artérias, da pele, das unhas, do cabelo, dos ossos, da vista, do estômago, do coração e do sistema nervoso e é por isso que o espargo é considerado um vegetal de luxo.

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